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SÓ UM POUCO DE BOM SENSO



Hoje é mais um daqueles dias em que as ruas são invadidas por gritos de mulheres e crianças. Vozes expulsando palavras de dor e tristeza. Chorando aos quatro cantos. A morte fez das suas. As estradas do Soyo estão (re) abastecidas de sangue.


Uns choram por dentro. O silêncio e a gravidez são semelhantes, ambos guardam segredos Homem nunca chora - falácia popular. A perda é enfadonha. Há pessoas que só o tempo revela. Por isso os homens choram melhor que as crianças. O silêncio sabe.

Do táxi assiste-se o congestionamento provocado por um grupo de motoqueiros, desorganizado. No entanto, solidários com o malogrado, amigo ou apenas companheiro de luta pela sobrevivência. Cómodos em suas Motos, sem capacetes e ajeitados dois ou mais indivíduos na mesma motorizada. Seguem cantando louvores, as buzinas em cadência, o defunto deambula pela Cidade em direcção ao cemitério mais próximo. A pátria natural chamada Camama.

O meu Soyo aos poucos está se tornando numa cova para os motoqueiros. Parece mais um daqueles episódios imperdíveis da Zap novelas, porém, lamentável. Morrem jovens, adultos e criança, perante o olhar intrépido de quem pode fazer algo. O Hospital Municipal, entretanto, teve a iniciativa de criar uma sala VIP para os que morrem todos os dias - “Os de motoqueiros”quando morrem ganham atenção especial.

Chora-se dia e noite. Há dor e revolta nos olhos dos que ficam - perder alguém próximo não se decifra, sente-se. No olhar, além da dor e a dolência, coabita o desejo de justiça e bom senso. Se houvesse justiça e bom senso por parte da Administração Municipal e da Policia nacional no Soyo estas mortes seriam evitadas. Mas Administração Municipal namora com a cegasurda e a inércia é a sua melhor acção. Mais também, o que eles podem fazer se os seus filhos estão em casa enquanto os dos outros morrem?

Num Município em que cada Chefe (titular de um cargo público) possui sua própria frota de moto táxi não há espaço para aplicabilidade da norma. Deve ser por isso que os Agentes de Trânsitos prendem, cobram e soltam, porém, nunca aplicam a lei. Pois, se reterem a motorizada no comando o comandante puni. Este comandante, dá a chave da motorizada ao menor de idade, para este fazer táxi e trazer o dinheiro para casa mas, nunca dá capacete e instruções necessárias, afinal, o dinheiro é que mais importa.

A vida está difícil. Será que isto quer dizer que devemos permitir sujar o nosso velho asfalto de sangue todos os dias? Assistir o luto das famílias, a dor que congestiona a mata e cidade aos poucos sem fazer nada, porque o fazer algo pôde pôr em causa os benefícios de alguns? Afinal que benefício pode ser maior que a vida?

O que pode ser pior que a apatia se não o deixa andar que, convoca o caos e a morte em grande escala? Precisamos "resgatar" o bom senso. O deixa andar é um vírus mortal. Um cancro que está a matar-nos diariamente nas estradas do município.

Quando se toma uma medida de prevenção a repreensão não custa nada. Um pouco de Bom senso é tudo o que esperamos por parte da Administração e órgãos afins. Olhemos para os nossos, irmãos, façamos alguma coisa, a vida é o bem mais sagrado, valorizamo-lo.

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